"Eu só quero que me valorize. Não quero ser o rubi que é escolhido por ultimo, cuja seu valor não aparenta ser alto. Quero que me compre primeiro, que eu seja teu anel. Não quero que me banhe a ouro, ou que use-me quando houver algo faltando. Eu quero ser o escolhido para ficar no seu penúltimo dedo, sem essa de “talvez amanhã”. A história é hoje, eu não escrevo o futuro, nem pretendo. Me dê valor agora, ainda dá tempo, eu espero um pouquinho. Sou teu anel de diamante, ainda não percebeu? Se liga, pois já tem gente querendo me levar pra casa."
- Bijuteria barata.
"A vida é estilo um vídeo-game mesmo? No fim de tudo é game over? Cada dia é uma fase, ou cada fase é uma decepção? Cada chefão é um amor ou cada amor é uma princesa à salvar? Cada história é um jogo ou cada jogo é uma porta que se abre? Se a vida fosse mesmo no estilo vídeo-game, eu estaria sentindo saudade no nível expert."
- Guilherme Lopes
"Desde que eu acordei não parei de pensar naquilo, como seria depois disso, ou o que você faria quando eu dissesse aquilo. Já não dá pra contar nos dedos quantas vezes eu disse seu nome, nem em que situação eu o deixei escapar. E isso tudo é porque eu talvez esteja afim de você. Eu não esqueço seu jeito torto de andar, sua única blusa de frio preta e vermelha, nem quando você deixa a calça cair pra baixo da bunda - dê um fim nisso. E isso tudo, é porque eu talvez esteja afim de você. Eu procuro seu olhar nos hectares do piso frio, já do seu toque eu não lembro bem. Por onde eu passo, a cada passo, o destino pode fazer com que você vire a próxima esquina e me veja, a partir daí guiaremo-nos sozinhos, pro escurinho, sem essa de se fazer de difícil. Eu só não entendo o motivo de tudo isso, talvez seja… Deixa pra lá."
- Still into you.
"Hoje, depois de tempos, retornei a ver teu rosto. Seu cabelo cresceu muito, tá na hora de cortar, não tá? Lembro-me que eu controlava sua rotina, definia o dia em que você iria ou não no cabeleireiro, quando deveria estudar ou mimar-me. Hoje, depois de tempos, pude ver que estamos felizes, ambos, mas separados. Você com sua alegria singular e eu com a minha. Nunca pensei que a felicidade pudesse ser tão triste, ela pode trazer o que se evita há semanas, tipo a saudade. É assim, sabe? É a vida, a horrorosa e gratificante vida. É viver feliz, mas com saudade. É envelhecer sem crescer na idade. Depois de tempos, eu não sinto mais o coração acelerar ao encontrar teu olhar, é estranho, pois eu queria sentir isso. Enfim, é só saudade."
- Ou é tudo saudade.
"Eu te amei por sessenta segundos inteiros, fui feliz de janeiro à janeiro. Descobri um céu por inteiro. Trabalhei de arquiteto à jardineiro. Prestei serviço à marinheiros. Tentei ser cozinheiro. Progredi como faxineiro. Cresci por dez meses inteiros. Fui no cabeleireiro, pedi meu corte costumeiro, te imaginei como meu primeiro. Cheguei em casa e entrei no chuveiro, pensei em um futuro certeiro, sem dúvidas de terceiros. Arrumei um arqueiro, que atirou no meio, do meu coração sem meios. Por todo o tempo naveguei num veleiro, assistindo a trama de noveleiros, procurando a vista do meu primeiro sorriso verdadeiro."
- Em meios costumeiros.
"Eu não escolhi nada disso. Não quis ser o garoto fraco que ainda sofre pela perda de um grande amor. Não me permiti chorar, nem mesmo me declarar. Não escolhi ser o menino que todos sentem dó por estar sofrendo, muito pelo contrário. Não admito ser o digno de pena, o que perde o amor e deixa a vida escapulir junto. Se por algo eu for lembrado, quero que seja pela determinação. Quero sim, ser o garoto fraco, mas que não sofre por perda de amores. Quero ser o menino fraco que corre atrás de novos, que constrói histórias clássicas, que faz da vida um filme clichê. Eu escolho tudo isso, ser o menino que todos olham com desdém, sem pena, mas com respeito. Eu não perdi meu amor, ele foi embora, só isso. Ele soltou a corda, caiu no abismo, apenas isso. Eu não pulei atrás, apenas continuei subindo."
- Eu escolho.
"Hoje não é dia de dar flores, nem de presentear a querida madame que vive ao seu lado. Não é dia de resmungar as três palavrinhas ao ouvir a décima segunda badalada do relógio. Hoje não é dia de escrever textos se declarando, nem enviar cartões customizados pras garotas que você cobiça. Hoje é dia de viver, assim como qualquer outro. É quarta-feira, é dia de ir à escola e xingar os professores - dirão que é o dia dos namorados, que é dia de amai-vos, mas e daí? Xingue sua professora com amor. Hoje é dia de chegar em casa e dormir o dia inteiro, assim como todos os outros. São vinte e quatro horas que passarão do mesmo jeito que na semana passada. Não se engane. Não é dia de abraçar quem está ao seu lado, nem dizer que ama pra todo o sempre, muito menos dar presentes com mensagens fofas e clichês, isso aí é feito em outro dia, mais conhecido como primeiro de abril. Hoje é mais dia do que noite, é a vez em que você acorda às seis, mas fica na cama até às onze. Você frequenta o centro da sua cidade e compra dois cremes e um perfume a si mesmo. Nada melhor, porque hoje é - arrisco a dizer - o dia do amor… E nada mais puro que amar a si próprio."
- Feliz dia dos namorados - ou não.
"Mas é claro que é fácil, porque dizer que ama, todo mundo diz. Porque brincar de pega-pega no parque, até meu primo de cinco anos brinca. Dizer três palavras antes de pegar no sono é coisa que nem dá fadiga. É fácil assim, fazer parecer que ama, mentir pra si mesmo. Pois abraçar quando as lágrimas não cessam, não é história de amor, isso é coisa de mãe e pai. Enfrentar o mundo só com a mão esquerda é amor? Claro que não, é coragem. Amor é bem mais que isso, porque se fosse, eu já estaria amando pela humanidade toda."
- Amar é bem mais que isso.
"Eu não te amo, eu só quero um pedacinho, tipo amostra grátis. Não pretendo ter minha vida colada na tua, são só uns três dias de carinho e basta. Eu não vou me apegar, nem prometer amor eterno. Vai ser só você e eu no final do corredor, conversando, trocando elogios. No terceiro dia você estará acariciando minha nuca, e eu me arrepiando todo. Não vai ser aquela história do Nicholas Sparks, muito menos um texto romântico da Tati. É bem mais vivo, mas com menos amor, umas colheradas de afeto, mas nada em excesso. Eu não vou te amar a partir dali, é só… sei lá, sexo. É vontade da carne, não do coração. É minha própria vontade de poder dar o que nunca tive, de vingar o quão sofri. Entenda que não é nada com você, é mais comigo. É um desejo seu, mas meu. Desejo de provar à mim mesmo que sou capaz de dar sofrimento ao invés de receber. Não que eu esteja sendo egoísta, mas foi assim que tudo aconteceu. Eu sofri demais, e acabei gostando. Eu não te amo, mas quero que você sofra, aí quem sabe tu acabe gostando de mim."
- E eu de você.
"Eu disse que amava mais, que sentia mais, que levei nas costas, que fui forte o suficiente pra carregar o peso de dois amores - coisa que não é leve. Eu sempre aliviei as custas, engoli as circunstancias e engasguei com minhas próprias expectativas. Eu que sempre falei de tudo, percebi de muito e critiquei de nada, não houve resultado. Eu que sempre vivi por dois, amei por uma humanidade toda e deixei tudo isso passar, estou sempre remoendo a ideia de que amor tão grande, talvez nunca mais voltará."
- Eu que sempre…